Medicina Tradicional e Neo Tradicional

Medicina Tradicional e Neo Tradicional

A medicina tradicional pode ser definida como a combinação de conhecimentos e práticas usadas no diagnóstico, prevenção e eliminação das doenças físicas, mentais, espirituais e sociais e que se baseia, sobretudo, em observações e experiências passadas, transmitidas de geração em geração pelos ancestrais de nossos povos.

Curandeiro Shona registrado na ZINATHA (Zimbabwe National Traditional Healer’s Association)

A MT, medicina tradicional é a primeira fonte de cuidados com a saúde em muitos países, chegam a atingir 80% da população, nos países em desenvolvimento. Em setembro de 1978, a Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde, realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em Alma-Ata, na República do Cazaquistão, expressava a “necessidade de ação urgente de todos os governos, de todos os que trabalham nos campos da saúde e do desenvolvimento e da comunidade mundial para promover a saúde de todos os povos do mundo”. A Declaração de Alma Ata – documento síntese desse encontro – afirmava a partir de dez pontos que os cuidados primários de saúde precisavam ser desenvolvidos e aplicados em todo o mundo com urgência, particularmente nos países em desenvolvimento. Naquele momento, conforme defesa feita pela própria OMS, a saúde era entendida como

“completo bem-estar físico, mental e social, e não simplesmente a ausência de doença ou enfermidade”

A Declaração de Alma-Ata, referia-se aos praticantes tradicionais como parte do pessoal de saúde de quem dependem os Cuidados de Saúde Primários (CSP) para darem resposta às necessidades de saúde expressas pela comunidade. Desde então, os órgãos diretivos da OMS e os países adoptaram Resoluções e Declarações sobre medicina tradicional.

Declaração de Alma Ata Leia na Integra.

A medicina tradicional vem ganhando cada vez mais espaço e adeptos nos debates sobre saúde pública global, por ser uma prática amplamente disseminada há séculos, pode ser dizer a milênios. No Brasil, o campo da medicina tradicional mistura-se com o das práticas integrativas, alternativas ou complementares em saúde do SUS, associando elementos indígenas, africanos e europeus. Em muitos países da Africa, a MT medicina tradicional é a mais utilizada pela população, inclusive na atualidade contra a pandemia do Covid 19. Em ambos os casos, abordam-se as noções de saúde e doença o equilíbrio físico, metal e espiritual, apesar da apropriação cultural local por colonizadores, existiu uma grande resistência cultural da medicina tradicional frente à colonização, inglesa, portuguesa, Francesa de países Europeus e aos novos modelos de globalização da cultura ocidental. A resistência de povos nativos de países de todo o globo, manteve a evolução e a disseminação das práticas de cuidado tradicionais, complementares e alternativas, sobretudo, problematizando esses conceitos a partir das concepções adotadas pela Organização Mundial da Saúde, e pelos significados diversos que os nomes assumem nos diferentes contextos.

Na América Latina, podemos identificar três grupos de medicinas associadas a práticas tradicionais, MTC que devem ser levadas em consideração a partir das origens históricas e colonização do continente americano:

1) sistemas tradicionais de saúde indígenas, derivados dos povos originários da América pré-colombiana;

2) sistemas tradicionais de saúde afro-americanos, trazidos à América com o tráfico de escravos, a partir do século XVII;

 3) medicinas alternativas, que compõem atualizações de sistemas médicos complexos tradicionais, com suas próprias racionalidades.


Manual Árabe de Fitoterapia certa de 1334

Hoje em dia em no Brasil, o campo da MT medicina tradicional, misturou-se com o campo das práticas integrativas, alternativas ou complementares em saúde, associando elementos Indígenas, Africanos e Europeus, que influenciaram a história da medicina em nosso grande país. A herança ancestral cultural dessas práticas especialmente pela população rural, indígena e tradicional. Praticas fundamentais para a saúde dos mais vulneráveis.

Texto: Mestre Albeto Junior

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